Diogo Amaral em filme português selecionado para Cannes
O cinema português está em festa com a seleção do filme 'Tempo Suspenso' para a secção Un Certain Regard do prestigiado Festival de Cannes. A longa-metragem, realizada por João Salaviza e protagonizada por Diogo Amaral, aborda a vida de uma comunidade piscatória no Alentejo confrontada com as mudanças climáticas. Esta é a terceira vez consecutiva que o cinema nacional marca presença no festival francês, consolidando a visibilidade dos criadores portugueses no circuito internacional.
Diogo Amaral, conhecido principalmente pelo seu trabalho em televisão, abraçou este projeto cinematográfico como um desafio pessoal e artístico. Em declarações à imprensa, o ator revelou ter passado três semanas a viver numa aldeia piscatória para se preparar para o papel, aprendendo as técnicas de pesca e convivendo diariamente com os locais. Esta dedicação transparece na sua interpretação, considerada pelos críticos que já viram o filme como uma das melhores da sua carreira. A aposta no cinema de autor marca uma nova fase na trajetória do ator.
O realizador João Salaviza, vencedor da Palma de Ouro de curta-metragem em 2013, regressa a Cannes com esta obra que demorou quatro anos a concretizar. O filme foi rodado em locais reais com uma mistura de atores profissionais e não-profissionais, numa abordagem que privilegia o realismo e a autenticidade. A fotografia, assinada por um dos mais talentosos diretores de imagem portugueses, capta de forma poética a relação ancestral entre o homem e o mar, num registo visual deslumbrante.
A seleção para Cannes abre portas à distribuição internacional do filme, que deverá estrear nas salas portuguesas no outono. Os produtores já receberam manifestações de interesse de distribuidores de vários países europeus e há conversações preliminares para a exibição em festivais na América do Norte. Este reconhecimento é também um importante impulsionador para a indústria cinematográfica portuguesa, que enfrenta desafios de financiamento mas continua a produzir obras de grande qualidade artística reconhecidas mundialmente.