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Pedro Boucherie Mendes entende que a televisão deve ser vista “como uma actividade industrial”

Pedro Boucherie Mendes, um dos responsáveis pela SIC, entende que a indústria televisiva necessita de ajudas do Estado.

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O meio televisivo é um dos grandes responsáveis pela emissão de produtos fictícios. No entanto, nos últimos tempos, o Netflix, e outros meios, têm ganho expressão. Em conversa com o site Meios & Publicidade, Pedro Boucherie Mendes aborda o assunto.

Para o director de planeamento estratégico da SIC e director da SIC Radical, explica que “uma série normal do Netflix com qualidade, bem filmada e com bons actores custa meio milhão de euros por episódio”, e por isso, é “impensável para a televisão portuguesa, não temos esse dinheiro. Temos de ser mais engenhosos.” “Acredito que dentro de um, dois, cinco anos teremos mais séries na televisão portuguesa. A RTP já começou esse caminho. Fizemos um estudo há pouco tempo sobre outro tema em que uma das informações que saiu é que a maior parte das pessoas que viu A Casa de Papel em Portugal viu em pirataria, apesar de o Netflix ser relativamente barato. Essa é uma grande ameaça. O elefante na sala são aqueles aparelhómetros, aqueles media centers em que há sempre um amigo que tem um código. O director da Sport TV terá muito a dizer sobre o assunto. É uma coisa que afecta o negócio, a indústria e a criatividade.”

Fazer séries em Portugal não é uma das prioridades da Netflix. E isto é bem entendido por Pedro. “Portugal não é um mercado prioritário para o Netfilx. O espanhol também não era mas o sucesso de A Casa de Papel, uma série da Antena 3 que não teve boas audiências, fez com que o Netflix decidisse fazer um hub de produção em Espanha. Perceberam que eles sabiam fazer séries.

Liderança de audiências

A luta pelas audiências é cada vez mais importante. “Quanto mais estável for a grelha de programação de um canal, mais audiências tem. Em equipa que ganha não se mexe. Se o programa x está no ar há 15 anos na RTP é porque o resultado de audiências satisfaz. A televisão, e não é uma frase minha, é uma indústria de fracassos. Se há uma série de hospitais, vou fazer uma série de hospitais para bater aquela série porque se percepciona que as pessoas estão interessadas em séries de hospitais. A televisão segue tendências e quando muda radicalmente é porque as coisas não estavam bem. Se tenho um programa que faz 25 por cento às sete da tarde é evidente que não o vou mudar. As pessoas podem estar fartas do Preço Certo, mas funciona.

Problemas estruturais

A indústria compreende mal a televisão e o seu poder. A indústria adora youtubers e instragramers, não quer a SIC Radical mas quer um post da Sofia com um pacote de fiambre“, assume o diretor, argumentando: “a televisão portuguesa tem defeitos, mas não tem assim tantos defeitos. Esta indústria portuguesa não compreende a televisão, não a valoriza e não nos diz como podíamos melhorar.”

Por isso, seria importante o Estado apoiar a indústria. “Um dia teremos de olhar para a televisão como uma actividade industrial, como os sapatos, o azeite, o vinho ou o têxtil. Israel ou Holanda exportam formatos de televisão em barda. Em Inglaterra uma das indústrias ameaçadas pelo Brexit é a do audiovisual, porque eles vendem formatos, talentos e programas. Vendem tal como nós nos orgulhamos do azeite ou da Autoeuropa. Estou disponível para ir almoçar com um ministro para explicar que em Portugal pode haver uma Autoeuropa de estúdios de televisão. Da mesma forma que montamos os carros dos alemães, também podemos montar as séries dos alemães. Temos clima, situação geográfica ímpar, entre a Europa e a América, as pessoas sabem falar inglês e são desenrascadas, que nesta actividade é fundamental. Não há sindicatos, não há paralisações.

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