O Irã acusou Salman Rushdie e seus apoiadores de esfaqueá-lo

“Em relação ao ataque a Salman Rushdie, não estamos considerando mais ninguém [Rushdie] E seus apoiadores merecem culpa e até condenação”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Khanani, em entrevista coletiva na televisão na segunda-feira, marcando a primeira reação pública do país ao incidente.

“Além do que vimos na mídia americana, não vimos nada sobre a pessoa que cometeu esse ato. Negamos categoricamente e veementemente qualquer conexão do agressor com o Irã”, disse Khanani, segundo a mídia estatal iraniana.

Rushdie, um escritor britânico nascido na Índia, recebeu décadas de ameaças de morte depois que o Irã emitiu uma fatwa, ou édito religioso, após a publicação de seu livro “Os Versos Satânicos” em 1988. Ele passou quase uma década sob proteção britânica antes de se mudar para os EUA nos últimos anos e foi esfaqueado repetidamente durante um ataque no palco no oeste de Nova York na sexta-feira.

O suspeito foi identificado como Haddy Mather, de 24 anos, de Fairview, Nova Jersey. Inocente sábado por tentativa de assassinato em segundo grau e outras acusações.

Embora o Irã não tenha comentado oficialmente sobre o ataque no fim de semana, vários jornais iranianos linha-dura elogiaram o suspeito no sábado – incluindo o jornal conservador Kayhan, cujo editor-chefe é o líder supremo Ali Khamenei.

“Mil bravos, cem, Deus abençoe. Beije a mão dele… Bravo ao guerreiro e homem obediente que atacou o traidor e perverso Salman Rushdie. Beije a mão do guerreiro. Ele rasgou a veia jugular de Rushdie”, dizia o jornal.

Outro jornal de linha dura, Khorasan, publicou uma foto de Rushdie em uma maca sob a manchete “O Diabo no Caminho para o Inferno”.

Rushdie – filho de um empresário muçulmano de sucesso na Índia – foi educado na Inglaterra, primeiro na Rugby School e depois na Universidade de Cambridge, obtendo um mestrado em história.

O lançamento de “The Satanic Verses” em 1988 fez dele um nome familiar e lhe trouxe fama. O líder iraniano, o aiatolá Ruhollah Khomeini, emitiu uma fatwa contra ele um ano depois.

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A recompensa contra Rushdie nunca foi levantada, embora em 1998 o governo iraniano tenha tentado se distanciar da fatwa prometendo não buscar a aplicação da lei.

Mas em fevereiro de 2017, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reafirmou o mandato religioso.

E em 2019, Khamenei twittou que a fatwa de Khomeini contra Rushdie era “firme e irrevogável”, levando o Twitter a colocar uma restrição em sua conta.

Lauren Said-Moorhouse, da CNN, contribuiu para este relatório.

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