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Guerra entre Ana Leal e Sérgio Figueiredo leva editores e chefes a fazerem um baixo-assinado em defesa do diretor

A guerra de Ana Leal contra Sérgio Figueiredo continua. Agora, sabe-se que os editores e chefes da redação da TVI vão a favor do diretor.

Rufino Teixeira

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No dia 10 de março de 2020, a TVI suspendeu, por tempo indeterminado os programas de Ana Leal e Alexandra Borges. Esta decisão veio na tangente de que as duas jornalistas e as suas equipas eram necessárias para reforço da redação.

Ana Leal ficou, ainda, responsável pelos jornalistas André Carvalho Ramos, Cláudia Rosenbusch e Sara Bento, que continuaram a trabalhar em conteúdos sobre o Coronavírus. No dia 25 de março estava prometida a transmissão de uma reportagem que, segundo Ana Leal, iria “revelar falhas graves na resposta do Serviço Nacional de Saúde” à Pandemia. No dia seguinte, a jornalista justificava-se nas redes sociais sobre a não transmissão da peça. “Não é da minha responsabilidade a não emissão da reportagem que estava anunciada.”

Em abril, o Conselho da Redação da TVI pediu aos quatro jornalistas esclarecimentos sobre o caso. Foi aí que o grupo de jornalistas contaram a sua versão dos factos, alegando que Ana Leal teve de apagar a mensagem do Facebook, devido a uma ordem de Sérgio Figueiredo.

Nesse mesmo dia, o responsável pela Informação da TVI abandonou o grupo de WhatsApp criado para o programa de Ana Leal. “A Cláudia [Rosenbusch] está a preparar uma reportagem que será exibida amanhã, porque ainda está a ser filmada. Ainda hoje irá enviar grafismo para começar a ser feito, até porque não é coisa pouca…“, escreveu Ana Leal nesse grupo, uns dias antes dessa quinta feira. Logo depois, Sérgio reagiria: “Ana, quem decide se é exibida amanhã ou não será a Direção de Informação. Aproveito para dizer a todos o que hoje de manhã já escrevi à Ana. Jornalismo é informar, mas é sobretudo ter a noção do papel que desempenha na sociedade. Por isso, também é filtrar, ter a noção do tempo e do modo como o nosso trabalho impacta na vida dos outros. Enquanto os incêndios não se apagam, não é hora de questionar os bombeiros“, defendeu o diretor de informação.

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Agora, a TV7 Dias avança que uma das reportagens preparados continha “entrevistas a membros da tripulação da TAP do voo Lisboa-Toronto, que viria a ter um passageiro confirmado para COVID 19“. Neste sentido, Sérgio Figueiredo disse “que não queria a história” e “alegou que não era tempo de ‘apontar o dedo’“.

O mesmo grupo de jornalistas não tem dúvidas de que as decisões do diretor de Informação condicionaram a apresentação das peças, mas que essas mesmas acabaram exibidas noutros canais. “Essas reportagens acabaram por sair noutros sítios. As fontes perceberam que a TVI não denunciava e começaram a dar as informações, por exemplo, à SIC”, diz à TV7 Dias uma fonte ligada à estação, que conta ainda que, a 14 de maio, os elementos da equipa foram avisados que teriam de retirar tudo o que lhes pertencesse da sala onde trabalhavam.

Nessa mesma semana, Ana Leal apresentou uma queixa contra o diretor de Informação da TVI nos Recursos Humanos, na sequência de uma discussão entre ambos.Posteriormente, 22 editores e chefes fizeram um abaixo-assinado em defesa da Direção de Informação, da TVI. “Nunca os editores da TVI se sentiram limitados ou censurados pela Direção de Informação, nem tolerariam a prática de qualquer tipo de censura na redação“, garantem, concluindo que “demonstram […] a sua solidariedade com o diretor de Informação“.

23 anos. Estudante de Geografia na FLUP. Um apaixonado pela cultura, comunicação, pelo território e pela sociedade. Um defensor do equilíbrio "homem-terra", daí defender teorias de conservação e gestão da natureza. Está no MAISTV como fundador e administrador geral.

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