Leia a 1ª Parte da Entrevista: Sérgio Alves: “Como é que o Mais Televisão sabe disso?”

O Mais Televisão sabe que sempre teve boas notas, como é conciliar o mundo artístico com o estudo?

Fácil não é, conciliar o mundo académico e o mundo artístico é muito difícil. Mas foi esse um dos meus objetivos para ter participado no “The Voice Portugal”, por exemplo, para mostrar ao público e às pessoas do mundo profissional e artístico que é possível ser as duas coisas, ter o melhor dos dois mundos, ser-se cantor e professor, e que lá por ser professor não quer dizer que não seja cantor, e vice-versa. Em ambos os mundos de trabalho, as pessoas estão habituadas a que se faça somente uma coisa, que se tenha somente uma função. Eu tenho estas duas paixões e vocações, até onde conseguir ter forças para conciliar as duas, quero fazê-lo. É cansativo, mas também é muito gratificante.

“sempre tive boas classificações na escola e depois na faculdade por obrigação e por necessidade”

Terminou a licenciatura com média de 17 valores e teve 18 valores na sua tese de mestrado. Como se organizava (que rotina tinha) para alcançar estes resultados?

Penso que sempre tive boas classificações na escola e depois na faculdade por obrigação e por necessidade. Passo a explicar. Por obrigação porque desde os Onda Choc e depois no Conservatório de Música, que conciliava com a escola, tinha a voz dos meus pais a dizerem-me “baixas as notas e tiramos-te da música”, e então tive que me fazer à vida. E depois na faculdade por necessidade, pois desde o primeiro ano de faculdade que fui aluno com bolsa de mérito, tendo média acima de 17 valores, e sabia que se mantivesse durante os restantes anos de curso isso seria uma grande ajuda monetária para os meus pais, então, por necessidade, e a muito custo no ensino superior, mantive sempre a média que me deu direito à bolsa de mérito.

 

Participar no “The Voice Portugal” e nos outros programas por onde passou não o prejudicou a nível profissional enquanto professor? Que reação tiveram os seus alunos e colegas?

A minha participação no The Voice Portugal e em outros programas não me prejudicou ao nível profissional porque o Colégio onde trabalho compreende este meu lado artístico. Aliás, desde o primeiro dia que entrei no Colégio, ou até na TAP onde trabalhei antes, nunca escondi este meu lado artístico e que precisava dele para viver e ser feliz, pelo que, também desde o primeiro dia, os meus colegas e alunos sabiam deste meu lado e do meu passado na música, até porque bastava ir ao “Youtube” e sabiam logo tudo. Ainda assim, tive 7 anos afastado na televisão e do meio da música para de certa forma conseguir consolidar um lugar no meu local de trabalho mais académico.

A existência do Drama Club no Colégio em que trabalho partiu da minha iniciativa […] Um singelo clube que cresceu e hoje em dia tem que haver “castings” para entrar no clube, pois são muitos os alunos que querem ingressar”

Sabemos que no Colégio onde dá aulas além de professor de História dá aulas de teatro na “Drama Club”. Foi esta a forma que encontrou de conciliar as suas paixões?

A existência do Drama Club no Colégio em que trabalho partiu da minha iniciativa, desde o primeiro dia que comecei a trabalhar no St. Peter’s, e a Direção Pedagógica anuiu e deixou-me expressar através deste simples clube. Um singelo clube que cresceu e hoje em dia tem que haver “castings” para entrar no clube, pois são muitos os alunos que querem ingressar e não tenho disponibilidade horária para todos. É um gosto ter este meu Drama Club, ao género de Glee Club, onde representamos, cantamos e dançamos. E alguns dos meus ex alunos do Drama Club seguiram a vida artística, tendo dado os primeiros passos neste simples clube.

 

Se lhe ligassem da RTP para participar no Festival da Canção aceitava? Ponderou participar?

Se me ligassem?!? Eu adorava!!! É um dos meus sonhos participar no Festival da Canção, até porque comecei a cantar com o Festival da Canção, sabia e sei músicas de cor, e digamos que o meu primeiro “casting” musical foi com 5 anos quando cantei a “Lusitana Paixão” para a própria da Dulce Pontes, pois idolatrava a música e a cantora. Sou um convicto fã do Festival da Canção e da Eurovisão, por isso ficaria muito feliz de participar, sendo assim um dos meus sonhos ainda por concretizar.

“Eu confesso que adoro “reality shows”, talvez um dos meus “guilty pleasures””

Aceitava entrar num reality show, tipo “Secret Story”? É fã de reality shows?

Eu confesso que adoro “reality shows”, talvez um dos meus “guilty pleasures”. Gosto muito de ver, mas participar não sei se conseguiria devido à exposição por si só. Nos programas de televisão que participei estava a dar algo ao público, neste caso música, estou em palco e estou a mostrar aquilo que sinto e que sei fazer, e num “reality show” acho que me estaria somente a mostrar, e, pode não parecer, mas sou tímido no que toca a expor-me sem estar dar nada em concreto ao público.

“O facto de [o Supernanny] ter sido cancelado, existindo em outros países, mostra que Portugal em algumas questões continua a ser conservador e puritano”

O que acha do programa “Supernanny”?

Confesso que vi muito pouco, dos poucos episódios que foram para o ar. Mas, do pouco que vi, penso que existia uma grande invasão da privacidade familiar e individual das crianças. Todavia, os encarregados de educação das crianças envolvidas devem ter assinado um contrato que devia alertar para essas situações e para a forma como o programa era feito. Se as pessoas concordaram, está no seu livre-arbítrio expor as crianças e o seu seio familiar. O facto de ter sido cancelado, existindo em outros países, mostra que Portugal em algumas questões continua a ser conservador e puritano. É controverso, mas era esse o objetivo do programa.

 

Ator, bailarino, cantor, organizador de eventos, professor… O que lhe falta fazer para ser um autêntico homem “dos sete ofícios”?

Eu de certo que sou hiperativo, mas nunca me foi diagnosticado. (risos) Gosto de fazer muita coisa ao mesmo tempo, preciso mesmo de estar ocupado, pois estando a fazer coisas que gosto, ainda que simultaneamente e quase sem tempo para mim mesmo, não penso nos pequenos problemas da vida e continuo a seguir em frente. Ainda me falta fazer algumas coisas, mas acho que já completei sete ofícios, a ver: um, cantor; dois, ator; três, professor; quatro, bailarino; cinco, comissário; seis, organizador de eventos; sete, guia turístico. Já estão os sete, acho que não consigo fazer muito mais, mas gostaria de evoluir como professor e como cantor e ator.

“se morresse agora, já morria feliz”

Que sonho(s) lhe falta(m) concretizar?

Ainda faltam realizar alguns sonhos, até porque se não continuar a sonhar a vida fica sem sentido. Mas costumo dizer, não de uma forma fatalista, que se morresse agora, já morria feliz, tendo concretizado os sonhos e os objetivos que me pressupus e que alcancei. Todavia, claramente, no meu lado artístico, um dos meus sonhos era participar no Festival da Canção, somente no festival, sonho ainda maior era representar Portugal na Eurovisão, mas “baby steps”, primeiro o Festival. Também no meio artístico, um dos meus sonhos talvez já inalcançáveis, era poder atuar num musical como protagonista na West End, em Londres, ou na Broadway, em Nova Iorque. E na minha vertente académica, gostaria de dirigir um projeto pedagógico, talvez um projeto que fosse o espelho da minha existência, que aliasse a parte académica e a parte artística.

“tentei ser sempre o melhor, pois nestas áreas ou nos destacamos por sermos muito bons, ou então somos mais um entre muitos”

Que conselhos pode dar se algum dos nossos leitores quiser trabalhar na sua área (seja seguir História, Geografia, ou seguir canto ou dança)?

Penso que para se seguir História, Música, Dança ou Teatro tem mesmo que se gostar, ter uma vocação para tal, pois são áreas difíceis, sobretudo ao nível da empregabilidade. Aliás ser professor ou cantor, hmmmm, duas áreas nada fáceis, onde estava com a cabeça?!? (risos), mas segui o coração e a vocação, pois preferia estar a fazer uma coisa que gosto e de que amo, do que algo com o que não me identifico. Se tivesse que fazer algo que não gosto para viver, muito bem, mas tentei ser sempre o melhor, pois nestas áreas ou nos destacamos por sermos muito bons, ou então somos mais um entre muitos.

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