“Os rankings “per se” valem o que valem, para mim e para a equipa de Ensino de Secundário […] o que nos deixa mais orgulhosos […] é efetivamente que os nossos alunos entrem na primeira opção dos cursos superiores que pretendem”

Partilhou recentemente que estava orgulhoso dos resultados alcançados pelos seus alunos. O que sente quando vê, consecutivamente, o colégio onde dá aulas no topo dos rankings nacionais?

A palavra em questão é mesmo orgulho. Sinto-me orgulhoso de trabalhar num local que realiza um trabalho idóneo, sério e verdadeiro para o sucesso escolar dos seus alunos e o seu ingresso no Ensino Superior. Os rankings “per se” valem o que valem, para mim e para a equipa de Ensino de Secundário com quem trabalho diretamente, o que nos deixa mais orgulhosos não é somente o 2.º lugar nacional no ano passado ou 6.º lugar deste ano, é efetivamente que os nossos alunos entrem na primeira opção dos cursos superiores que pretendem e que tenham uma preparação sólida para o que vão encontrar no Ensino Superior.

“Como é que o Mais Televisão sabe disso?”

Que feedback lhe deram os seus alunos e colegas?

Os alunos ficaram muito orgulhosos, sobretudo aqueles que preparei para o exame nacional de História A do ano passado (12.º ano) e que este ano já estão na Faculdade. Estes alunos, sobretudo através de mensagens e das redes sociais, mostraram-se muito orgulhosos. Os alunos que tenho agora felicitaram-me e claro que perceberam que o trabalho que faço com eles, ainda que exigente e trabalhoso, traz resultados benéficos. Os meus alunos de História da Cultura e das Artes (11.º ano) que realizaram exame no ano passado, ainda que não haja dados concretos, também me deram os parabéns porque sabem que tiveram uma média de 17 valores e a nacional foi de 9.8 valores, pelo que também ficaram nos primeiros lugares nacionais. Já os colegas, as felicitações foram mais dentro do grupo de professores de Ensino Secundário com quem trabalho, porque sabemos que foi um trabalho de equipa.

“Tento fazer com que uma aula de História seja o contrário daquilo que parece, obrigando-os não a decorar, mas a pensar, ou seja, mostrar-lhes as causas e os efeitos dos factos, e não somente a sua mera memorização”

O Mais Televisão sabe que os seus alunos o consideram “exigente”, mas que gostam de si, mesmo “quando grita” com eles. Como é dar aulas a adolescentes?

Como é que o Mais Televisão sabe disso? (risos) Sim, digamos que sou muito exigente, as minhas fichas de avaliação costumam ser “maquiavélicas” ou “diabólicas”, como os alunos dizem, mas sei que é assim que os consigo preparar corretamente para o exame nacional, e, quando o fazem, até dizem, “olha isto parece mais um teste do professor Sérgio”. Eu sei que grito muito, mas faz parte sobretudo da minha forma pouco ortodoxa e mais teatral de lecionar, e eles sabem que grito porque estou verdadeiramente importado com o sucesso deles. Tento fazer com que uma aula de História seja o contrário daquilo que parece, obrigando-os não a decorar, mas a pensar, ou seja, mostrar-lhes as causas e os efeitos dos factos, e não somente a sua mera memorização.

 

O Colégio St. Peter’s International School, onde dá aulas, é um dos mais caros do país. O que diferencia, na sua opinião, esta instituição de ensino e de que forma isso se relaciona consigo?

O St. Peter’s International School pode ser um dos mais caros do país, a par de muitos colégios de Lisboa e do Porto com o mesmo custo, tenho consciência disso. Contudo, tenho noção que o trabalho que fazemos com os nossos alunos, sobretudo no Ensino Secundário, pauta-se por ser de excelência e com dois objetivos muito concretos: primeiro, preparar os alunos com os métodos e as formas de realização de bons exames nacionais; e em segundo, dotar os alunos de técnicas, metodologias e formas de estudo que vão encontrar no ensino superior, ou seja, chegam à Universidade já com um grande ritmo de trabalho e com “skills” que lhes permitem ter sucesso. Em suma, é um investimento que os pais fazem na educação e no futuro dos filhos. Não esquecendo que os alunos, dentro da propina que têm, podem ainda fazer três certificações de línguas estrangeiras tanto o British Council, como o Cervantes e ainda o Goethe, que lá fora teriam que pagar à parte.

“sempre soube que queria ser professor”

Começou cedo no mundo artístico, nomeadamente nos Onda Choc e Maxi. Quando percebeu que queria ser professor? Foi na adolescência?

Apesar de ter começado a trabalhar no mundo artístico, sempre soube que queria ser professor. Sempre gostei de ensinar, comunicar e tentar ajudar os outros, mesmo na escola com os meus colegas. E foi na escola, com excelentes professores que tive, que ganhei o gosto pela profissão, desde a minha professora da primária, que é um elemento chave desta minha decisão, até aos meus professores de secundário, na minha adolescência, nomeadamente, uma professora de Latim e de História que tive. Sempre gostei de estudar e saber mais, sempre fui um grande “cusco” e curioso, por isso quis sempre ter uma profissão mais académica e não somente artística.


2ª parte da Entrevista:  “Sérgio Alves: “Portugal em algumas questões continua a ser conservador e puritano”

Algumas perguntas da segunda parte da entrevista a Sérgio Alves:

Terminou a licenciatura com média de 17 valores e teve 18 valores na sua tese de mestrado. Como se organizava?

Aceitava entrar num reality show, tipo “Secret Story”?

Que sonho(s) lhe falta(m) concretizar?

Algumas afirmações da segunda parte da entrevista:

“Sempre tive boas classificações na escola e depois na faculdade por obrigação e por necessidade”

“Eu confesso que adoro “reality shows”, talvez um dos meus “guilty pleasures””

“Se morresse agora, já morria feliz”

“Sérgio Alves: “Portugal em algumas questões continua a ser conservador e puritano”

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