11 anos depois, ‘Big Brother’ chega ao fim na Grã-Bretanha

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Big Brother’ chegou às televisões inglesas em julho de 2000. Com uma homenagem ao romance “distópico” de George Orwell, “Nineteen Eighty-Four“, o programa foi anunciado como um “espetáculo social”. Um grupo de pessoas comuns – ainda que sem se conhecerem – partilhariam a mesma “casa”, equipada com câmeras, onde teriam de cumprir os desafios propostos. A cada semana, os concorrentes indicariam um deles para a expulsão. A última pessoa, sem ser expulsa, seria eleita como a vencedora e receberia um prémio em dinheiro.

Os primeiros colegas de casa tinham, pelos padrões de hoje, pouco a temer. Não havia YouTube para imortalizar os seus momentos embaraçosos. Tudo parecia mais calmo de alguma forma e, olhando para trás, a primeira temporada foi de fato silenciosa. A falta de perspicácia e gritos faz com que o programa se parecesse mais a um documentário antropológico do que a um reality show. Os concorrentes, ainda, tinham uma inocência e inconsciência do propósito real. 

Naqueles primeiros dias, os habitantes da Casa reuniram-se como uma comunidade. Eles enfatizaram as habilidades e as qualidades que trariam ao grupo. A “primeira colheita” deste programa – que viria a ter muitas outras, e mesmo noutros países – estava feita. E o sucesso a nível de audiências, também. 

No entanto, os produtores tinham outras ideias. Decidiram aumentar o calor e , de certa forma, alimentar o caos e a animosidade. A par disso, o sistema de votação dava aos espectadores a oportunidade de punir comportamentos que não gostavam. Foi uma visão explosiva e viciante, e desde então a tática formou a base dos “irmãos mais recentes do programa”.

Shilpa Shetty é uma atriz de cinema, produtora, ex-modelo indiana e a vencedora do reality show Celebrity Big Brother 2007. 

Mas nem tudo foi mau no ‘Big Brother‘. Este foi um meio através do qual as discussões de questões importantes poderiam ocorrer de uma forma acessível a todo o país, e até no mundo. Em 2007, por exemplo, o abuso racial de Shilpa Shetty forçou os espectadores a pensar sobre que tipo de linguagem é e não é aceitável como “brincadeira”. 

E, de muitas maneiras, o ‘Big Brother‘ mostrou uma Grã-Bretanha mais tolerante. Permitiu que as pessoas LGBT controlassem as suas próprias narrativas numa época em que elas eram pouco representadas na esfera pública.

No entanto, o legado mais significativo do programa, e por isso, uma novidade, foi o facto de pessoas comuns, conseguirem saltar para fora da normalidade suburbana, passando para um espaço anteriormente ocupado apenas por atores, cantores e artistas talentosos. A fama poderia ser alcançada, de forma simples. O resultado desta mesma interjeição foram as novas estrelas, que pela primeira vez, vendiam-se. Vendiam a sua alma, a sua imagem e cada detalhe das suas vidas privadas. 

Depois de 18 anos e 45 temporadas, o último episódio do programa – transmitido no passado dia 5 – continha um apelo de salvamento. No entanto, é claro que ‘Big Brother’ foi expulso do interesse do público britânico. E, no resto do mundo? Será da mesma forma? Há, sim, uma necessidade de reinventar novos formatos. Pois, o que chegou à televisão com um estrondo sai, a qualquer momento, com um gemido.

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